Estou numa maratona que começou no último ano. Assistir todos os
filmes, ou pelos menos os principais indicados ao Oscar. Confesso que ainda não
olhei todos, e que meu gosto pessoal acaba interferindo se vou olhar todos ou
pelo menos só os que gostei dos trailers.
Vi todos os trailers, e o gosto pessoal já retirou o Cavalo
de Guerra da lista dos filmes para assistir. Muito “Sessão da tarde” para meu
gosto. Mas o trailer que me pegou de jeito foi o do filme Tão forte e tão perto. Ainda não
consegui assisti-lo, e acho que vou conseguir só bem depois de passar o Oscar na TV,
infelizmente. Aí fui assistir o tal Árvore da Vida. Não aguentei 10 minutos.
Esse eu tenho certeza que vou assistir só depois do Oscar. Ou pelo menos
algumas horas antes da transmissão. Se eu não dormir.
Mas tudo o que escrevi até
agora, só foi uma desculpa para falar de dois filmes que realmente me
surpreenderam. Logo que tomei conhecimento do filme O Artista, fiquei com
aquele pensamento que todo mundo ficou: “Filme mudo? Bah, isso vai ser muito
chato!”. Achei uma ousadia realizar um filme mudo e preto e branco em pleno século
21. E a Academia também deve ter achado a mesma coisa. Por isso indicou. Confesso
que senão tivesse sido indicado ao Oscar, talvez nunca o teria visto. Mas vi, e
gostei do que vi.
Não é o tipo de filme
convencional, mas funciona muito bem. A história é muito bonita, e também
emociona o espectador. As interpretações estão lindas e o figurino muito bem
feito. Mas apesar de gostar muito, não é minha aposta. A aposta mesmo está em A
invenção de Hugo Cabret.
Lindo, lindo, lindo.
Fotografia, figurino, interpretação, roteiro, trilha sonora, direção, tudo me
encantou. Me encantou tanto que estou escrevendo esse texto. Justo eu que fazia
muito tempo que não escrevia aqui.
O filme é muito inspirador e envolvente. Faz com que todo
mundo saia mais leve da frente da tela. Uma linda história de um garoto que
quer buscar uma mensagem do pai e de uma mensagem que encontra seu caminho de
volta para casa. Aliás, é mais ou menos assim que o filme termina. Encantador,
não?
Contudo, o que mais me chamou atenção é que tanto A invenção de Hugo Cabret quanto O Artista
falam de cinema e o modo de encantar as pessoas. Os dois filmes considerados
favoritos para ganhar o Oscar trazem uma mensagem um tanto parecida. Os dois
nos mostram como o cinema pode recriar sonhos e como nós podemos nos
transportá-los por um momento.
O primeiro, conta a
história do cinema em meio ao seu enredo. Já o outro faz do próprio enredo a demonstração
do que era o cinema. Será um recado da Academia?
Acho que a indicação desses
dois filmes, em especial a do O Artista, é sim um recado da Academia. Acho, e
ouso ter certeza, que ela está implorando à Hollywood que acabe com filmes de
roteiros prontos e que exaltam qualquer coisa só para ter uma grande
bilheteria. Acho que a Academia está querendo mostrar a todos que é possível
fazer um cinema sonhador e sobreviver disso.
