Um dos grandes mitos do jornalismo é o furo jornalístico. Todo jornalista quer dar o furo. E eu, como pertencente dessa classe, também espero que o meu dia chegue. Porém, acho quase impossível. Não acredito mais em furo jornalístico, e acho que ele está com os dias contados. Aliás, acredito que o furo jornalístico é um enorme caminho ao erro. Digo isso, porque no cenário atual - com vários meios para se obter uma notícia rapidamente - a apuração, antes tão importante, é quase esquecida. Um exemplo disso foi a foto do Osama Bin Laden morto que foi rapidamente divulgada por uma TV Paquistanesa, pelo canal pago Globo News e pelo Portal R7. Esse último, dando a notícia depois de muitos tweets desmentindo a informação. A foto era uma montagem. Mas ávidos por um furo, por mais audiência ou simplesmente para preencher espaço, as emissoras divulgaram a foto sem antes dar uma olhada no Twitter. Ferramenta que também furou o furo jornalístico. E sem nem mesmo a notícia ter acontecido como mostra o Mídia8 neste link.
Diante desses fatos o que é mais importante? Um jornalismo que dá informação sem ao menos pensar nela, mas que dá primeiro ou um jornalismo que demora algumas horas, mas dá uma informação correta, concreta e oficial?
Particularmente, como consumidora de informação, prefiro sim, o veículo que me traga a informação correta mesmo tendo demorado. Jornalismo é isso. Informação correta. Especulações, supostas notícias, idéias surgidas, qualquer um pode fazer. É só ter alguma conta em alguma rede social, ou ter simplesmente um blog. Propagar informação sem ter um embasamento certo é coisa de amador. Qualquer um faz. E se é pra fazer isso, desse jeito, infelizmente vou ter que ser obrigada a concordar com os ministros do STF: não é preciso ter diploma pra jornalismo, não é preciso estudo teórico, não é preciso perder 4 anos de sua vida. Só é preciso saber escrever, ou talvez nem isso.
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